Novembro 12, 2008
Acabamos por comprar uma enxada de pontas em Itália.
Ao pessoal do UPS , estamos aqui.

Depois da 21:00 a partir de quinta-feira.
Novembro 9, 2008
Já o tinha dito. Quando tomamos a iniciativa de desenvolver este único e ímpar projecto, tínhamos consciência do trabalho que iríamos ter. Só com muito suor se consegue fazer uma limpeza tamanha. O Karracius foi incansável na preparação para a nova fase, de semeio de outros vegetais. Havia um monte de detritos que davam um aspecto péssimo à área e já por varias vezes se tinha adiado o fogaço. Dei com um isqueiro no casaco - perdido, convém dizer - e com o Rei-de-Espadas fogueamos mas não foi nada fácil devido à humidade.

Não foi fácil atear o fogo ao monte.
Só com muita madeira - não digo de onde veio - conseguimos manter o fumo no ar, o qual chegava a atingir toda a zona do rio Lis.
E assim foi até à noite.

Até à noite.
Novembro 9, 2008
É espetacular!!!
O nabiçal já dá um ar da sua graça e, sem grande pressa, evidencia um cuidado especial tido na altura do semeio. O vento que sem medo atirou com paus e folhas ( ai, o outono ) para cima dos vulneráveis vegetais não teve grande abalo. Espero que o mesmo aconteça com as geadas que se aproximam.
Para quem não acreditava neste projecto, deixo a prova da nossa resistência à critica.

Os resultados estão á vista.
Novembro 2, 2008
Hoje, dia dedicado a digerir o bolinho, não deixei de visitar o projecto. Mas que surpresa agradável tive, quando olhei o couval. A chuva que tem caído conseguiu ressuscitar os vegetais o suficiente para me sentir vaidoso a ponto de nem sequer contactar os outros membros (a bem dizer, parceiros e adversários no jogo) já que eu tinha colocado adubo a mais e desconfiava que tinha ‘dado cabo’ daquilo. Ainda estive para as replantar às escondidas, fazendo novos cobaixos para que não fosse o responsável por tamanha tragédia. Mas consultei o Borda d’Água
e fiquei esclarecido. Nem mexi mais a confiar nos setenta e tal anos de edições do almanaque e resultou.
Existe já uma couve com quase 50 cm de altura, a qual diga-se, ainda não tem estrutura para aguentar o vento. Amanhã se me lembrar ligo ao Karracius-Rei-de-Espadas, o tal das mãos de veludo, a exigir que coloque uma cana como apoio.
O Rei de Copas não esteve este fim de semana pelo que vai ficar surpreendido não pelo tamanho da couve mas pelos comentários que circulam por aí sobre a Janta-de-Sexta-à-Noite. Digeri mal o jantar e não era para menos. Os ‘jantaristas’ eram menos obviamente já que se presumia no dia do anúncio que não seria algo que elogiasse a cozinha. Mas pronto, o Krugger-Rei-de-Paus continua sem apresentar uma ementa, pelo que está em situação melindrável.
Voltando à terra. Na barraca, perdão!…, na sede, fiz ontem uma limpeza do telhado juntamente com o Rei-de-Paus. A água foi muita. De qualquer modo, e para precaver uma eventual futura seca, o Krugger teve uma ideia genial, mas que não percebi de ínicio.

Existem ideias que proibem qualquer meditação mais profunda.
Outubro 31, 2008
Quando a ocupação é excessiva, as ideias tendem a não aparecer. Inversamente, não é menos verdade. Se alguem me convidasse para semear nabiças, pensaria, também eu(?), que estava a ser alvo da demência .
Mas, por vezes as coisas não são infimamente lineares.
Numa noite regada a jogar uma cartada, alguém, lembrou da actividade agrícola, não sei se por ter a alma já em fase de evaporação se por uma causa tão natural, como a fome. Julgo que foi pelas duas. E não me lembro quem foi. Dos três, um foi!
O certo é que o poder de influência foi enorme. Ficamos todos com uma vontade enorme de cavar a terra, de voltar ao calo. E aqui também não sei se por necessidade causada pela crise, se por ansiedade do desconhecido. A verdade é que num sábado estava já a ‘cavalo’ de um tractor, sem inércia, e com a agulha do gasóleo no máximo.
Bom, após pequena reunião nessa noite, faltava o local. Não seria difícil obter um local devido ao abandono da actividade. Por outro lado, não era fácil devido a quase todas as hipóteses apontarem para espaços com mais de 50 metros quadrados, o que exigia um trabalho acima do inicialmente previsto.
Mas eis que surge uma possibilidade. Simples. Mesmo que fosse ‘muita metragem’, apenas cultivavamos ‘pouca metragem’. E se demorou a perceber isso.
Existia a necessidade de possuir uma ‘barraquita’ para as alfaias agrícolas, o que foi imediatamente resolvido, passando até a ser prioridade máxima.
Mãos à obra no tal Sábado.
Galopando no tractor, com a charrua a empurrar, começou-se por enfiar a ponta na terra, com uma alegria fora do comum. Como é que uma cartada naquela noite deu uma incitação tão plena e natural. Afinal, há ainda quem queira trabalhar com prazer, sem obrigação. Divinal.
Mas a inexperiência é aceitável quando já não ouvia o roncar do bicho há mais de 15 anos, seguramente, em tal actividade. A erva era tanta que ‘entufava’ entre a charrua e o bicho, e levantava a primeira sem efeito prático. Ah! O melhor é fresar antes e depois lavrar. Toca a trocar a alfaia. O olhar dos outros elementos era de tal forma aterrador que emanavam desespero. Posta a fresa, passou-se algo no mínimo curioso. Quem fresa sabe que a terra quando submetida a esta trituração, deixa atrás uma promiscuidade de elementos que nos dão uma alegria enorme e sensação de dever cumprido. Mas tal não era assim dado que, após anos sem semeio, a tufa venceu as lâminas. Raios partam. Pergunto:
-Oh man… há quanto tempo não cultivam aqui?
Diz o Krugger:
-Sei lá. É a segunda vez que aqui venho.
Olhei para o ponteiro do gasóleo, e rematei:
-Querem lá ver que enterro aqui o imposto todo.
Segui. Após talvez uma dezena de passagens, voltei a acoplar a charrua. O Karracius tem mãos de quem não faz nada, e notou-se isso mesmo, quando tentava ajudar na colocação de uma cavilha.
-Isto é assim?
-O quê? Vens para aqui com calção de ‘Dread’ e ainda perguntas como é que se põe essa m****?
Não desanimou e mostrou resistência aos imprevistos.
Já quase no final da lavra surge um tipo, a quem atribuem mau feitio. Dizia-me ele:
-Oh mestre, você se for para trás faz isso mais depressa.
Fiquei de cabelos em pé. Mas ninguém notou. Como é que este gajo vem aqui, entra em espaço quase sagrado, e lança um desafio destes… Trato-o no mesmo tom de desafio mas de forma leviana.
-Oh Chefe, quer uma aposta em como perde?
O gajo ri, e sai com ar de quem não é entendível. E ainda bem.
Terminado, enquando os outros iam limpando o espaço da futura barraca, a qual tinhamos combinado denominar «sede», montei novamente a fresa e terminei o meu trabalho. Ficou líndissimo . Que prazer, olhar aquela terra solta, mas que ainda revelava a falta de cuidado a que esteve sujeita.
Quando olhei para o espaço tive uma sensação de nostalgia extremamente atípica. A sério, não é normal sentir saudades daquilo que nunca quis fazer.
Quatro estacas, aliás, pilares, já se viam na sede, estando já o Faz-Caras a preparar as paredes, como uma tela com as cores do FCP. Azul, branco e amarelo. Esta última é comum nos finais de jogo. Pensei para mim:
-Esta m**** está a ficar impecável.
Quando tudo parecia controlado, ainda nos apeteceu lançar a semente à terra. Mas preferimos continuar o abrigo.
Semana seguinte, há um investimento em semente, sem saber bem se a mesma germina, até porque o tipo que vende, quer é isso mesmo. O Krugger queria poupar tempo e trazer alface já com dois centímetros. Estava a 8 cêntimos. Disse que não, caramba, porque comprava copos de plástico nos chinocas e no fim de uma semana tinha a alface bem maior. Trouxemos 8 ou 9 qualidades de vegetais.
À tarde continuaram a fazer o cubo, e eu tive uma experiência quase única, que, só quem passa por isto pode descrever. É fascinante fazer uma manta, com tudo para ser regada em condições ideais e quando se parte para isso, o canal de irrigação é uma manga plástica completamente furada e rasgada. Lindo serviço. Tanto cuidado e não houve quem se lembrasse disto. A barraca, aliás, a sede, já só tinha uma face aberta, virada para o sol, pois então.
Sentamos-se e combinamos que havíamos de fazer uma mesa com bancos.
O Karracius, que tem mão de veludo, faltou à chamada, na semana seguinte, diz que por ter trabalho, o que evidentemente sabemos ser falso. Eu percebi que mãos de veludo acabavam por desistir. Veremos.
Ao fim de andar Km’s a tentar que a água do colector chegasse às únicas duas mantas, com 32 couves à volta - se não mafiaram ainda nenhuma - lá consegui ver o curso da mesma. E que pressão que tinha! Já se nota as nabiças a ver o ar, mas as couves estão meio murchas. Há quem diga que é sabotagem, mas prefiro nem pensar. Se isso acontecer há sempre a hipótese de vir a saber quem foi, com o sistema instalado de video-vigilância. De qualquer modo, quero acreditar que seja o sinal GSM que esteja a destruir a lombarda.
A Sociedade Unida de Emparcelamento para Cultivo Agrícola (S.U.E.C.A.) já tem sede com banquinhos e mesa.





